É comum a publicação de conceitos especulativos com relação à veracidade bíblica e historicidade de seus relatos.
Muitas vezes, o autor deste tipo de matéria tem como objetivo minimizar a importância da Bíblia como livro milenar sagrado; já em outras ocasiões, algumas ideias nem sempre coerentes com a interpretação contextual de determinado trecho são confirmadas como doutrina bíblica.
Mas, na verdade, a história de como a Bíblia foi produzida, e sua preservação até os nossos dias, está cheia de fatos emocionantes e intrigantes.
No princípio da história da humanidade, por exemplo, não havia palavra escrita, somente a falada, o que significa que ainda não existia um código escrito criado por uma convenção linguística. Muito antes dos povos daquele tempo inventarem o seu próprio sistema linguístico e mesmo depois de sua invenção, os hebreus contavam e recontavam suas histórias, das quais, muitas chegaram às páginas da Bíblia.
Na antiga Mesopotâmia, atual Iraque, onde morava Abraão, cerca de 3200 anos antes do nascimento de Cristo, uma escrita chamada "cuneiforme" começou a ser usada. O estilo cuneiforme utilizava símbolos cortados em tabuletas de argila úmida, que depois eram assados em forno.
Simultaneamente, os egípcios começaram a desenvolver os hieróglifos também como forma de escrita reproduzida por meio da pena e tinta sobre os papiros. Estes, feitos a partir de uma planta que nascia na beira do rio Nilo, deram origem ao que nós chamamos, hoje, de papel.
Em seguida surgiram os alfabetos fenício e hebraico. Com estas escritas disponíveis, as histórias e ensinamentos, passados de pais para filhos, começaram a ser redigidos e, portanto, conservados.
Mas, de qualquer forma, o papiro foi se popularizando por ser o primeiro material leve, de baixo custo e durável para a escrita. Muitas das cópias mais antigas dos livros da Bíblia, incluindo alguns dos rolos do Mar Morto de mais de 2000 anos de idade, foram escritos em papiros.
Quem escreveu os livros bíblicos?
Por mais que esta seja uma discussão que sempre venha à tona, a cada dia que passa pesquisadores, especialmente, da Arqueologia comprovam as histórias da Bíblia. Conquanto muitos a tenham como lenda ou livro metafórico, a Bíblia provê evidências de sua fidedignidade.
Quando se descobre e investiga de forma minuciosa os autores bíblicos, as profissões e a vida que levavam, é impossível negar que uma força superior àquela que tinham, os usou para produzir o que produziram.
Moisés, após recusar ocupar posição de destaque no reino egípcio, tornou-se pastor de ovelhas durante 40 anos. Em seguida, foi o protagonista na libertação do povo hebreu, escravo no Egito.
Baseado em suas experiências, que, aliás, remontam fatos sobrenaturais, inclusive, escreveu os 5 primeiros livros do Antigo Testamento, os quais servem de base para inúmeros princípios até mesmo legais. A tecnologia a serviço do homem do século 21 tem buscado confirmar dados expostos por este personagem bíblico tão conhecido. Outro exemplo interessante é o de Davi, também pastor de ovelhas e que escreveu boa parte dos Salmos. Já seu filho Salomão, de sangue real, escreveu Eclesiastes, enquanto que Amós, sem linhagem nobre, pois era apenas um boiadeiro, fez declarações proféticas importantíssimas para o tempo em que vivia e algumas com aplicações aos nossos dias. Quanto ao Novo Testamento, podemos citar escritores como o médico Lucas, o coletor de impostos Mateus, os pescadores Pedro e João, além do intelectual Paulo, entre outros. Mas, em todos podemos observar características pessoais de transmissão da mensagem, no entanto, mescladas com predições inimagináveis para eles, mas verificáveis ao longo dos anos - o que para os crédulos é considerado como Inspiração e para outros grupos como incógnita.
Críticos e críticas
Algumas críticas são feitas à Bíblia como, por exemplo, a alegada falta de comprovação histórica de alguns fatos. Diante disso, arqueólogos procuram provas irrefutáveis e enquanto fazem isso, acabam descobrindo coisas que, às vezes, nem procuravam. Um bom exemplo disso tem a ver com a narração bíblica quanto ao rei Senaqueribe, o qual invadiu Judá, devastou as cidades e manteve como "prisioneiro" o rei Ezequias, em Jerusalém.
Um cilindro de barro com seis lados e coberto de escrita cuneiforme relata oito das batalhas de Senaqueribe, dentre elas, esta contra Jerusalém. Neste cilindro, Senaqueribe escreveu várias coisas e termina assim: "As cidades eu as sitiei e as tomei; e continua: "Eu prendi Ezequias como um pássaro engaiolado em Jerusalém, sua cidade real", (A Bíblia e sua História - O surgimento e o impacto da Bíblia, página 41). Além deste, há uma série de outros achados que ratificam cada vez mais o conteúdo bíblico como verdadeiro.
O verdadeiro autor
Quando se trata de autoria, a Bíblia parece ainda mais interessante, pois, embora homens a tenham escrito, com seu estilo próprio e baseado em sua própria cultura e regionalismos, para os cristãos e outros segmentos religiosos, Deus esteve por trás de cada um destes homens, inspirando-os na produção daquela que é a Sua palavra, a Sua vontade revelada ao ser humano.
As palavras escritas são deles, mas tão somente como instrumento transmissor e tradutor do pensamento de Deus, Sua sabedoria e Suas intenções de alegria, felicidade e bem- estar ao ser humano.
Reflexão
Há mais de 3500 anos, a Bíblia está entre os homens transformando vidas que se apegam às suas instruções, com fé, e encontram novas motivações e esperanças para prosseguirem a trajetória humana. Há 1500 anos antes de Cristo ela já havia começado a ser escrita, e no decorrer dos séculos, a própria ciência tem se incumbido de pesquisar a realidade de suas informações e para surpresa de muitos, constatado através da Arqueologia e outros campos científicos a coesão destes escritos. Mas, se é assim, por que as pessoas têm tanta facilidade em lhe tirar o crédito, assim que aparece um ou outro comentário que lhe seja contrário?
A Bíblia continuará sendo assunto para pesquisa e debate, mas independente de qualquer coisa, ela se prova por si só, quando analisada sob a ótica de sua atuação na vida das pessoas. Crendo ou não, é preciso aceitar que a Bíblia, como revelação de Deus, é um divisor de águas na vida de quem a recebe com sinceridade. A transformação proposta por este livro pode não encontrar explicações em enciclopédias, mas é indiscutível para multidões, em diferentes cantos da terra e em diferentes épocas, sancionando sempre mais seu caráter universal e atemporal.