O processo de evaporação em função do calor leva para a atmosfera nuvens carregadas de umidade. Essas nuvens, em contato com massas de ar mais frias, condensam-se e se transformam em gotas de água que se precipitam formando, então, a chuva. A precipitação pode ocorrer em forma de chuva, neve ou granizo. Dependendo da quantidade de vapor que é levado para a atmosfera ,podemos ter chuvas leves ou torrenciais.
O vapor pode vir de diversas fontes como rios, córregos, represas, oceanos, vegetação e também por meio do uso doméstico quando lavamos calçadas, veículos, etc.
A água doce, em particular, tem exercido um papel fundamental na viabilidade e êxito de todas as civilizações. Segundo dados históricos, as primeiras redes de irrigação, ao longo do rio Nilo, datam de mais de 5000 anos e há aproximadamente, 3100 anos a.C, os sumérios desenvolveram a agricultura em função das cheias dos rios Tigre e Eufrates.
A Bíblia relata que Ezequias, o rei de Judá, possuía muitas riquezas, e entre elas, estava a água que canalizava para o ocidente da Cidade de Davi.
Para as grandes civilizações, o domínio desse recurso poderia significar o sucesso ou o fracasso de uma guerra ou a existência dos povos.
O Problema da distribuição e da falta de água
Em função da distribuição do calor sobre a terra não ser igual em toda a sua superfície, e assim como a vegetação e os cursos d'água também estarem mais concentrados em áreas como a Amazônia, ocorre que, em determinadas áreas temos um volume maior de chuva do que em outras. Esta má distribuição tem afetado muitas regiões como o Sudeste e o Sertão do Nordeste, por exemplo. Na Região Sudeste, temos uma distribuição razoável de chuva, porém, em função da industrialização em massa, do processo de irrigação e do índice populacional elevado e desordenado, o volume de água própria para o abastecimento humano está cada vez mais comprometido.
A grande quantidade de poluentes que despejamos, diariamente, na atmosfera, altera o ciclo da água e rompe o equilíbrio ambiental de maneira surpreendente.
As altas temperaturas aceleram o processo de evaporação, que, por sua vez, causam precipitações descontroladas. A impermeabilização do solo, a retirada da vegetação, a movimentação de terras em áreas de encosta, o lixo acumulado nas ruas e a falta de bueiros para o escoamento das águas faz com que rios transbordem, rompam barragens e causem enchentes.
Segundo dados do Unicef - Fundo das Nações Unidas para a Infância, menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água, 21% vão para a indústria e apenas 6% destinam-se ao consumo doméstico. Um bilhão e 200 milhões de pessoas, ou seja, 35% da população mundial, não têm acesso à água tratada. Um bilhão e 800 milhões de pessoas, cerca de 43% da população mundial não contam com serviços adequados de saneamento básico.
De acordo com dados da Cetesb, cerca de 70% dos leitos dos hospitais estão ocupados por doenças causadas pela veiculação hídrica, ou seja, problemas por causa das águas infectadas.
As enchentes, por exemplo, têm provocado doenças como a Leptospirose, transmitida em função do contato com a urina do rato. Enchente como a de Santa Catarina, mostra os dois lados da humanidade: o solidário - aquele que procura montar cestas básicas e busca recursos para ajudar as pessoas; e o aproveitador - que desvia cargas de alimentos para que sejam vendidos a donos de supermercados que burlam a lei. A garrafa d'água potável de um litro chegou a ser vendida por R$ 20,00.
Esses dados poderiam ser mudados se fôssemos mais racionais, mais humanos, mais solidários. A falta de planejamento urbano, e de políticas públicas e educacionais voltadas para a população, de maneira geral, tem dificultado a manutenção de ambientes mais saudáveis.
É chegado o momento de arrumar a casa, avaliar os impactos causados pelas nossas ações, usar a ciência em benefício da humanidade, descobrir novas formas de produzir e de consumir. Formas que gerem menos lixo e economizem recursos naturais, pois somente através das nossas ações poderemos ter um mundo melhor.
Não deixe ir embora pelo ralo um bem tão precioso. Lembre-se:
Uma torneira, pingando, gasta cerca de 45 litros de água por dia;
Quinze minutos de banho corresponde a 120 litros de água;
Lavar a calçada, 270 litros;
Lavar o carro, 350 litros;
Escovar os dentes com a torneira aberta, 15 litros;
Válvula de descarga, 10 litros a cada descarga;
Dicas
Se houver mudança no número de conta de água verifique se há vazamento;
Diminua o tempo de permanência debaixo do chuveiro;
Limpe a calçada com vassoura e se for preciso use um balde de com água;
Avise a companhia de água e esgoto se houver vazamento de água nas ruas;
Qualquer sinal de acúmulo de lixo na calçada pode ser motivo a mais para causar enchentes e atrair insetos, ratos, moscas e entupir bueiros. Procure seus direitos, afinal de contras você paga impostos e deve reclamar com as autoridades competentes.
Para Refletir:
"Embora o Brasil ostente a maior descarga de água doce do mundo nos seus rios, quando estes secarem ou só transportarem esgotos não tratados das nossas cidades, já não será possível produzir alimentos, plantar arvores e o dinheiro do bolso de pouco valerá." Aldo da Cunha Rebouças - pesquisador de recursos hídricos e ambiente da USP.