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21/10/2009 - Atualizado em 04/12/2009 - 8:58
O Monge No Executivo
É possível servir e ser servido?
Gislaine Westphal

A cada época é ressaltada uma qualidade, assim como sintomas resultantes do estilo de vida, como, por exemplo: stress, depressão, medo, angústia. Há um bom tempo, a liderança está em alta. A intenção deste texto não é dar sugestões para que você se torne um excelente líder, mas mostrar como o estilo de vida afeta a sua vida. Entrevistas, pesquisas em livros e em relatos de pessoas que chegaram ao sucesso, confirmam que ter um misto de qualidades de executivos com qualidades de monges é o caminho certo a ser trilhado.

O Monge no Executivo. A frase é assim mesmo, você não leu errado. Será que é possível ser os dois? É possível servir e ser servido? O famoso livro, "O Monge e o Executivo", fez e ainda faz muito sucesso. James C. Hunter, autor do best-seller, o lançou em nove línguas com quase 300 mil cópias vendidas só no Brasil. Mas o que este livro traz de tão importante que o tornou um sucesso?

James Hunter é um conselheiro na área de liderança no setor empresarial e presta serviços para algumas das maiores organizações do mundo, como a American Express, a Nestlé, a Força Aérea dos Estados Unidos, entre outras.
A base do livro, "servir para liderar", retrata a história de um executivo que vai ao monastério e aprende a arte da liderança. Um dos pontos-chave de sua teoria está baseado na liderança por influência. Na visão de Hunter, "liderança é a habilidade de inspirar pessoas, fazendo com que tenham vontade de agir e dediquem todo seu espírito em determinado objetivo."

Outro fator nas teorias de Hunter é o conceito de líder servidor. Para ele, "um líder serve sua equipe para ajudá-la a atuar da melhor forma possível." Dando às pessoas o que elas precisam, o líder receberá de volta o que é necessário. Essa perspectiva nasceu a partir da análise de Jesus Cristo como figura histórica. Para James, na história humana, ninguém exerceu tanta influência sobre outros como Cristo e nem obteve tamanho êxito, quanto à entronização de um discurso, como ele conquistou. Tudo isso à base da servidão.

Você já parou para pensar como seu estilo de vida afeta a sua maneira de tratar ao próximo? Segundo Susan Peterson, fundadora e presidente de uma companhia de comunicação nos Estados Unidos, The Communication Center, ela afirma, por experiência própria, "quem não dorme o suficiente não pode ser criativo". Susan, depois de muito errar, aprendeu que ser líder "mãe" não é assertivo. "Preciso ser dura em alguns momentos com os meus funcionários. Porém, depois que coloquei como meta ser também visionária, dar espaço aos meus funcionários, conceder oportunidade de crescimento, seja na realização de um MBA, num curso, e até pessoal, percebi que o amor vem com isso. Hoje, sou uma executiva com uma pitada de monge."

Ficamos tão preocupados em fazer uma faculdade, estudar um idioma, fazer pós-graduação, mestrado, casar, comprar carro, comprar casa, viajar...a Sociedade e nós mesmos colocamos tantas metas, tantos objetivos, que somos absorvidos por eles e esquecemos de viver.

Muitas pessoas vivem como se fossem executivos, trabalham exaustivamente, não têm tempo para relaxar, ficar com a família, e fazem do trabalho o principal foco de vida. Numa pesquisa realizada pela Universidade de Loma Linda, na Califórnia, é entre os executivos o maior índice de homens com derrame antes dos 35 anos.

Em contrapartida muitos pensam que ter qualidades de "monge" é aguentar tudo, ser passivo, viver pelos outros. Porém, ser "monge" é ter sabedoria para priorizar os aspectos importantes que equilibram a vida. Ter capacidade de viver um dia de cada vez, em dedicação moderada ao trabalho, à família, aos amigos, mas principalmente, segundo James Hunter, ser monge é ter capacidade de se relacionar com Deus.

O Psiquiatra Cesar Vasconcellos comenta: "felicidade é você aceitar as coisas que não pode modificar, que não tem controle sobre elas, mesmo que você não concorde com elas. Além de aceitar, evitar tudo aquilo que o faz sofrer, evitar criar armadilhas para si mesmo, e, claro, cair nelas."

Serenidade não depende de emoção, é uma postura de vida. Um dia de cada vez. Um momento de cada vez. Isso é a razão em parceria com o amor, isso é o equilíbrio entre ser servido e servir, entre o Monge e o Executivo.

Susan, executiva, descobriu o segredo de vida e de liderança em sua empresa, "para ser servido, temos que servir primeiro, temos que mostrar, dar exemplo, assim como Jesus o fez, não como um clichê, mas como resultados práticos e positivos, para si e para a empresa."

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