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21/10/2009 - Atualizado em 04/12/2009 - 8:56
A vida depois da Aposentadoria
Nossos Idosos estão vivendo mais e melhor, diz o IBGE
Débora Carvalho

É verdade que 90% dos idosos brasileiros dependem da ajuda de familiares para sobreviver. Os filhos, se puderem, ajudam. Mas, geralmente, não podem. Segundo uma pesquisa sobre o futuro da aposentadoria, divulgada pelo HSBC em 2008, apenas 34% dos brasileiros, na faixa dos 60 anos de idade, conseguem algum tipo de trabalho. No entanto, 71% das pessoas desejam trabalhar enquanto tiverem energia e vontade.

Mas, nossos idosos estão vivendo mais e melhor, de acordo com a análise realizada em 2008 pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sobre as condições de vida do brasileiro. De 1997 pra cá, o número de pessoas com mais de 60 anos aumentou em torno de 48%. E quase a metade deles contribui com 50% do orçamento da casa. "As famílias com idosos estão aumentando. Seus filhos demoram a sair de casa ou acabam voltando com netos", explica Ana Amélia Camarano, pesquisadora do Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

Com tanta energia para gastar, essa transição pode levar à depressão. Por isso, os especialistas em geriatria aconselham que essa fase da vida seja planejada com antecedência. Afinal, o que vai sobrar agora é o que faltava antes - tempo. "Se o idoso tem interesse, ele pode se aproximar de entidades, se envolver com as ONGs e Associações. Se a gente ficar parado, vai pensar nas dores, nos sofrimentos. Isso não adianta nada", diz Sérgio Octaviano, que, aos 73 anos de idade mantém uma agenda lotada com atividades em família e nas associações onde atua como diretor. Octaviano prepara-se para comemorar 50 anos de casamento em 2010, com a senhora Helgard, e nos relata seus segredos para manter a vitalidade e o sorriso no rosto.

Aposentado há 4 anos, depois de 47 anos de trabalho como pastor Adventista, a meta era dedicar-se à família. Mas, acostumado a lidar com o público, Octaviano assumiu a diretoria do condomínio em que mora, onde implantou a coleta seletiva. Desde então, tem sido convidado a apresentar palestras nos condomínios da região. Sempre que possível, o carro fica na garagem e ele sai à pé pelo Capão Redondo, zona Sul da capital paulista.

E não para por aí. Octaviano também compõe a diretoria da sua própria associação de aposentados, que conta com uma média de 100 frequentadores. As atividades mensais acontecem no próprio bairro, no zoológico, museu, Memorial da América Latina, Pico do Jaraguá. E ainda tem viagens às cidades do interior, visitas a hotéis-fazenda e SPAS. O objetivo é ter uma reunião gostosa. "E o povo é animado", conta o diretor. "Temos palestras sobre nossa realidade em parceria com universitários. E ainda tem os jogos de mesa, o cantinho do riso, da música, do saber (biblioteca)."
A esposa aprova. "Eu acho muito bom ele ter o tempo ocupado com coisas boas; se envolve com a comunidade, com os condôminos, reuniões e comissões. E eu acompanho. Faz muito bem pra gente."

Sérgio sempre gostou muito de matemática, e hoje, são os cinco netos que trazem problemas matemáticos para o avô resolver, com os quais sempre aprende algo novo. "A cada dia percebo que tenho muito o que aprender. E o que aprendo, quero passar pra frente, pois não adianta nada guardar só pra mim", afirma.

Sérgio Octaviano gosta muito de informática e passa muito tempo no computador, preparando palestras no datashow e conversando com amigos e familiares distantes. (Quem conta é a esposa, Helgard). E ainda gosta muito de ler.
Outro hábito é o de "consertar tudo que está estragado em casa", diz a esposa. E como mantém a saúde? "Na alimentação ele é muito sistemático. Não come nada fora de hora. Não come carne e prefere tudo natural, muitas frutas e verduras. Mas quando é aniversário ou algo assim, ele até come bolo, sem fanatismo", revela.

Antes da aposentadoria, Sérgio sempre dedicava um dia da semana para estar com a família. "A pessoa não pode parar no tempo, ficar em casa, sem fazer nada, se ainda tem saúde e condição de fazer algo bom. A gente acaba sendo mais beneficiado do que o benefício prestado para o próximo", declara.

Aposentado e Agora?

Viver mais e envelhecer melhor significa mais tempo com os filhos e netos, mais tempo com os pais e avós. Já temos um idoso para cada dez brasileiros. E essa proporção é crescente.

Para saber lidar com essa nova realidade, confira algumas dicas de especialistas.

Evite transtornos. Peça para ser informado sobre mudanças de rotina e que todos os moradores guardem coisas importantes, como chaves, sempre no mesmo lugar. Objetos de uso frequente não devem ser guardados em locais muito baixos ou muito altos, para evitar que se abaixe ou estique demais.

Evite o sedentarismo. Dá mais trabalho não fazer exercícios, acredite! Faça alongamentos, caminhadas, musculação e hidroginástica. Ligue o despertador para não perder a hora dos medicamentos e nunca tome remédios por conta própria. Evite o álcool e também evite farofas e comidas secas. Prefira alimentos integrais e frutas.

Não sentir sede é normal. Por isso, beba água e sucos de frutas mesmo sem ter sede.

Achar a comida sem sal é normal. Mas você não deve colocar mais sal. Esquecer nomes e lugares é normal. Esquecer como tricotar, não. Também é normal o idoso dormir às 19h e acordar às 3h. Se começar a se engasgar durante as refeições, procure um otorrino. Se mastigar, projetando a língua para a frente, procure um fono.

Evite lesões. Troque as torneiras redondas por torneiras de alavanca. Retire do chão e do quintal tudo que possa tropeçar ou escorregar, vasos e esculturas das passagens, tapetes. Troque o piso da casa por um antiderrapante e coloque corrimão nas escadas e barras de apoio no vaso e no boxe do banheiro. Instale um assento fixo dentro do boxe, para o caso de mal-estar, e deixe a tranca aberta para emergências (nunca se sabe).

Fonte: Folha de S. Paulo, caderno Folha Equilíbrio, 17/07/2008

 

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